segunda-feira, 4 de abril de 2016

Surreal

  Como diria John Green, foi como adormecer; aos poucos, e de repente, tudo de uma vez. É dificil aceitar que as minhas barreiras caíram por terra, que eu fui completamente inundada por alguém. Aquele receio gostoso de acordar no dia seguinte e tudo aquilo ter sido um sonho... A verdade é que o mundo anda tão mal habitado, que eu acabei me acostumando com a malícia, com os jogos, acabei aprendendo a me defender na marra. Mas eu tinha esquecido o quanto eu gostava de me sentir dessa forma, tinha esquecido o quanto eu fico genuinamente bonita com um sorriso estampado no rosto - daqueles que não saem por nada, sabe? Tinha esquecido a beleza de um sentimento tão puro, tinha esquecido o que era a inocência. As vezes a gente se preocupa tanto em se proteger que acabamos esquecendo o que realmente gostamos.
  E então eu percebo que eu tenho vivido uma perfeita e irônica mentira. Afinal, quem eu queria enganar dizendo ser fria e insensível? Ora, francamente! Justamente eu, aquela que é apaixonada por contos-de-fada, aquela que acredita em finais felizes, aquela que sempre idealizou cada pequeno detalhe do seu futuro, aquela que fazia as amigas acreditarem no amor novamente. Chega de mentir pra sí mesma, né? 
  Era tão fácil não me expor. Era fácil me esconder atrás da imagem da menina que não se apaixonava. Não foi tão fácil pegar todos os meus sonhos para guardá-los num baú e enterrá-los no fundo da minha alma, mas foi preciso. Foi preciso que alguém diferente aparecesse pra desencadear tudo isso. E hoje eu vejo que tudo que eu passei só serviu pra me ajudar a reconhecer o valor desse alguém. Dizem que você precisa conviver muito com a tristeza para aprender a interpretar a felicidade, eu acho que foi mais ou menos isso.
  Mas acho que eu não vou ser capaz de esconder por muito tempo, até porque acho que ele consegue ler nos meus olhos tudo que eu tenho vontade de dizer, que ele tem sido minha inspiração para escrever e tem sido a letra das musicas que eu canto. É, esse tipo de coisa a gente nem deveria tentar esconder, já que é tão raro.. Hoje eu sei o valor que tem uma atenção, um bom dia, sei interpretar um olhar diferente, sei descifrar os tipos de sorriso, sei exatamente onde guardar esse sentimento que está chegando.
  Algo que chega de mansinho, entra pela fresta entreaberta da porta e vai tomando conta de tudo. Como se eu tivesse dormido um sono profundo por anos e agora acordasse pra vida... Porque se apaixonar é assim, é se sentir vivo a cada minuto do seu dia. É não conseguir parar de sorrir ao ouvir uma música, é se sentir a pessoa mais sortuda do mundo, é ter a vontade de contar pro mundo todo o que você está vivendo, é não saber no que vai dar, mas torcer para ser apenas o começo do resto da sua vida.

Medo

  Hoje não pude evitar pensar no tamanho do poder do medo. Uma palavrinha de apenas quatro letras, mas com um poder destrutivo imensurável. Capaz de pintar um céu negro num dia ensolarado, e estragar uma história antes mesmo que ela tenha a chance de acontecer. Sempre ouvi dizer que o ódio, a raiva e a revolta eram os sentimentos mais perigosos para se cultivar, mas hoje sei que nenhum deles tem o sabor amargo do medo. Nenhum deles te impede de viver, de ser, de estar... Pelo contrário, as vezes uma pessoa com raiva se sente muito mais viva do que alguém que viva à sombra do "e se".
  Ao meu ver, poucas coisas são tão lesivas quanto traumas. É como se alguém plantasse uma pequena semente de inseguranças e questionamentos intermináveis dentro de você, e sempre que aparece uma oportunidade de ser feliz, a semente germina e o veneno dos seus frutos põe tudo a perder. E quando você se dá conta, criou uma bolha de proteção contra tudo que está fora do seu controle; incluindo a alegria, as surpresas, os amores eternos, as paixões fulminantes...
  Pode parecer meio assustador, mas experimente colocar um pé para fora da sua zona de conforto. Experimente arriscar, experimente tentar. A chance de dar errado sempre vai existir, as lágrimas sempre podem rolar, mas a única garantia que eu te dou é que sem tentativa não há acertos. Um trauma, uma cicatriz, podem doer por muito tempo, podem até voltar a sangrar se você mexer demais. Mas cada cicatriz terá te ensinado alguma coisa, como uma criança que levou um tombo e nunca mais irá desobedecer quando a mamãe diz "não suba aí!".
  A verdade é clara e está aí pra quem quiser (e tiver coragem pra isso) vê-la: A vida deve ser vivida. E se me permite uma opinião, vivida da forma mais intensa possível. Sabe por quê? Porque um dia as luzes se apagam, a musica pára, a cortina se fecha, a platéia vai embora. Você gostaria de assistir à esse filme novamente?